PARABENS HÓQUEI MINHOTO

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9.06.2017

Será assim ? Quando os pais se portam mal nos treinos dos filhos... ( artigo da revista Sábado )





Um artigo na modalidade futebol, mas que pode muito bem ser aplicado a outras modalidades, inclusive o hóquei em patins...

Os miúdos começaram a formar-se no A.C.D. Ases de Santa Eufémia, em Guimarães, há cerca de 4 anos. Eram poucas crianças, uma das equipas dos Traquinas (sub-9) contava apenas com 11 jogadores no primeiro ano, os pais levavam-nos aos treinos e assistiam com grande entusiasmo. Tudo corria bem e no final de cada jogo até lhes atiravam guloseimas para o campo. Hoje, os plantéis são maiores, a competição por um lugar nos jogos aumenta e desde Maio do ano passado que foi colocado um piso sintético. Os pais acompanharam as mudanças: sentados ou em pé, gritam e insultam a partir das bancadas. "Uma boca mal dada e está o caldo entornado", diz Carlos Neves, coordenador da formação do clube e uma das caras por trás do novo quadro de regras – para os pais, isso. 

"Não grites em público", "não menosprezes os meus colegas" ou "não percas a calma" são algumas das frases que se podem ver na parede do estádio, e que tentam combater outras frases – "ele tem metade do teu tamanho e não lhe tiras a bola" ou "somos fracos mas não podemos atirar a toalha ao chão". Desde o início da formação, já houve dois casos mais acesos. "Um pai, no final do encontro, criticou duramente a atitude do treinador, chamando-lhe mesmo nomes feios. Tivemos que retirar o treinador do local para que nada de mal acontecesse. No final, falámos com o pai e o assunto, com mais calma, resolveu-se", relembra à SÁBADO o coordenador.

"O que eu vejo nos pais é uma vontade imensa de ganhar a todo o custo e às vezes isso prejudica muito os miúdos", conta Bruno Cunha, 22 anos. 
O treinador, que prepara crianças de 9 e 10 anos, conta que já desautorizaram as suas orientações e que houve algumas discussões com pais sobre o porquê de não colocar o filho a jogar. "Nem todos podem ser o Cristiano Ronaldo ou o Messi, mas há muitos pais que pensam que sim", explica o treinador. Para Bruno, o mais importante é que os miúdos se divirtam e dêem o seu melhor. "Nem que percamos 10-0, mas se os miúdos derem tudo, os pais deviam sair satisfeitos e nem sempre isso acontece", explica. 
Bárbara Ramos Dias, psicóloga, defende que o que se passa em campo cabe ao treinador (ver caixa) – os pais não devem interferir.

Raúl Silva, 41 anos, bancário, é pai de duas crianças que jogam no Ases de Santa Eufémia, Pedro, de 5 anos, e João, de 7. Às vezes, nos jogos do mais velho, defesa, deixa escapar alguns comentários, admite: "João cuidado! Olha aquele jogador", mas diz-lhe sempre para seguir as indicações do treinador. Quando um dos seus filhos chega a casa e comenta, desmoralizado: "Perdi", o pai responde: "Deixa lá, para a próxima ganhas", mas admite que nem todos os pais se sabem comportar. Num dos torneios dos miúdos, com cinco jogos e temperaturas de 400 graus, recorda: "Era a primeira parte, estava 0-0, estávamos a jogar bem e o treinador, sem que os pais percebessem porquê, começa a meter os miúdos mais fracos. Bem, foi um 31 com os pais". 

Ainda assim, Raúl sente que este tipo de comportamento não é muito frequente nos escalões de formação dos seus filhos – Pedro está nos Petizes (1.o escalão) e João nos Traquinas (2.o escalão). "Quando começar a haver confusão, tiro-os e meto-os em outra modalidade, o andebol ou o voleibol, por exemplo". 

Pedro Dias, de 17 anos, que na época passada jogava no Belenenses, nos juvenis A, sabe muito bem o que é uma bancada de pais aos gritos, com insultos e palavrões, mas nunca viu agressões físicas. Joga desde os 4 anos, mas foi aos 6 que começou a primeira formação no Loures e já ouviu muitas frases como "não tirou bem o curso" ou "não vê bem" – nunca directamente para si. Um dos jogos que mais o marcaram, e não pelas melhores razões, foi entre o Loures e o Tenente Valdez (clube da Pontinha, Odivelas) quando jogava nos Infantis – tinha 12 anos. "Por vezes nem conseguia ouvir o feedback do meu treinador com o barulho [que os pais faziam] nas bancadas". Acabaram por empatar (1-1).

O pai grita, a criança sai
Nos treinos da Escola Geração Benfica, em Lisboa, os pais são mais acanhados, mas também já houve problemas. Rafael Martinho, 31 anos, diz que estas situações são muito raras. Para o treinador, a melhor solução é retirar a criança do campo, para que o pai perceba que o seu comportamento não pode acontecer novamente. O treinador, que agora dá formação a Infantis, relembra um desses episódios quando treinava Benjamins (sub-11): "A criança não estava a ter a atitude correcta, retirámo-la de campo para que o percebesse e o pai viu aquilo como se não gostássemos do miúdo. E começou a mandar bocas", conta à SÁBADO. 

Ainda enquanto treinador de Benjamins, já ouviu um pai dizer coisas como "mexe-te" ou "não corres" - e viu o filho começar a chorar. "Retirei a criança de campo para que o pai percebesse que não pode ter aquela atitude. E para explicar à criança que não deve ligar ao que o pai diz, mas sim aos treinadores. O pai percebeu a mensagem". Bárbara Ramos Dias defende que esta não é a atitude correcta – quem deve sair é o pai, não a criança.

No ano passado, o treinador da Escola do Benfica convocou uma reunião com os pais porque sentiu que alguns dos miúdos não estavam a seguir as suas indicações, mas sim as da família. "Nós trabalhamos desta forma, o nosso processo é este e não vale a pena estarem a quebrá-lo porque assim os meninos não vão ter sucesso". Não houve mais problemas, garante.


fonte: http://www.sabado.pt/vida/detalhe/quando-os-pais-se-portam-mal-nos-treinos-dos-filhos?ref=HP_DestaquesPrincipais

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