FINAL FOUR DA TAÇA CERS

FINAL FOUR DA TAÇA CERS
HÓQUEI MINHOTO EM VIAREGGIO

1.06.2017

Bruno Gomes " Tive convites de clubes da 1ª mas optei por continuar em Barcelos "



O treinador da equipa de juniores do OC Barcelos, Bruno Gomes revelou em entrevista ao Jornal Barcelos Popular que mesmo após ter recebido convites de equipas da primeira divisão nacional, optou por continuar na cidade de Barcelos, por sentir muito, muito bem.


Bruno Gomes percorre quase 200 quilómetros todos os dias para se deslocar dos Carvalhos, de onde é natural, até Barcelos, onde dirige as equipas de juniores e juvenis do Óquei Clube de Barcelos. Para este treinador de 37 anos a distância não é um entrave pois faz o que gosta num clube de top, que lhe dá todas as garantias e condições de trabalho. O antigo colega de Reinaldo Ventura nos infantis do CH Carvalhos, onde se sagrou campeão nacional juntamente com o 66, agora também ao serviço do “maior de Portugal”, está mais motivado do que nunca e para isso contam os recentes títulos alcançados com a extinta equipa B e pelos juniores. Daqui a uma semana vai disputar mais uma final a duas mãos frente ao Valongo que poderá dar mais uma taça para a sala de troféus do clube. Antes do primeiro treino do ano de 2017, o Barcelos Popular conversou com Bruno Gomes que confessou estar preparado para o que der e vier com o símbolo do Óquei de Barcelos ao peito.


O que leva um treinador a sair da sua zona de conforto e andar há sete anos a vir para Barcelos?
Inicialmente foi pela parte profissional pois é um dos maiores clubes nacionais. Depois veio a paixão, o amor à cidade e às pessoas que sofrem e festejam connosco. É aqui em Barcelos que me sinto bem.


Os títulos alcançados com a equipa B e juniores são motivos de orgulho?
São motivos de orgulho, satisfação e um reconhecimento pois, quem está perto de nós, reconhece esse trabalho. Para a montra do hóquei em patins ser campeão nacional é sempre um título que nos torna mais conhecidos.

Esse sucesso foi, portanto, fruto do trabalho desenvolvido com muitos jogadores que passaram pelas suas mãos?
O segredo foi esses mesmos jogadores acreditarem. Também foi importante levar avante o projecto delineado para o clube (onde está tudo escrito) tendo dado frutos e dará ainda mais se as pessoas aproveitarem. Mas sem um trabalho tremendo tudo isto não seria possível.


Pode dizer-se que o Bruno ama mesmo esta modalidade?
Certamente. Costumo dizer que tenho mais quilómetros de patins do que de sapatilhas. Ando na modalidade desde os três anos e neste meio sinto-me em casa. 

Recentemente o Joca disse numa entrevista que o Bruno Gomes é uma referência para ele. Como se sente ao ouvir estas palavras?
Quando cheguei a Barcelos o Joca tinha idade de juvenil, jogava na área e tinha poucos minutos. Passados dois anos de trabalhar comigo (curiosamente há dias estive a rever o processo dele) lembro-me perfeitamente de ter proposto à direcção a integração do Joca nos seniores ainda como primeiro ano de juvenil. Reconheci-lhe potencial, cresceu como homem e como jogador e o facto é que ele trabalhou muito para isso, ainda para mais quando tem paixão e amor por este clube. Fiquei muito orgulhoso com essa referência. 

São tudo razões para continuar ainda mais alguns anos? 
Eu quero muito continuar. Faz todo o sentido que seja juntamente com o Nelson e que sejam criadas condições para que isso aconteça pois estamos juntos desde o início. Acho que, sobretudo, trouxemos novamente orgulho ao clube. Notamos isso quando se contrata um jogador pois, há uns anos era difícil quererem vir para Barcelos, é triste dizer isto mas é a verdade. Agora, volvidos três/quatro anos, somos nós a dizer que não, isto atendendo à quantidade de atletas a querem jogar cá. 

Por isso era importante ter a equipa B mas que durou pouco tempo.
Esse é um assunto que só vou falar desportivamente e não administrativamente. É uma pena pois os jogadores deixam de estar no seu habitat natural para continuarem a serem observados e permitimos que eles saiam para outros clubes, aliás, como está a acontecer com o Fão e o Limianos, onde os resultados estão à vista. Um miúdo que saiu daqui no seu último ano de júnior é neste momento o melhor marcador dos nacionais, só e apenas. Enche-nos de orgulho ver o Rui Silva a ter sucesso mas seria muito melhor tê-lo aqui e continuar a avaliá-lo aqui. Assim como seria importante integrar os juniores no escalão sénior, que lhes daria muito mais rodagem e preparação. Não existir a equipa B, sem dúvida, é negativo para a formação. 

A ajuda do Joca e do Vieirinha nesse título de juniores foi importante? 
O Vieira, e eu trato o Miguel como bicampeão, pois é bicampeão do Mundo e Europeu e tem um currículo invejável, só começou a dar o contributo na segunda fase do nacional, contra o Benfica no final da primeira volta. E lembro-me que no dia 29 de Maio contávamos com o Miguel mas à última da hora não pôde jogar, assuntos que também não vou referir o porquê. No balneário disse que com todas as dificuldades iríamos ser campeões, com ou sem o Miguel, não me desculpando nem virando a cara, como não admitia que algum jogador o fizesse pois todos íam ficar na história do clube. Foi o que disse antes do jogo com o Valongo que deu o acesso à final-8. Sem dúvida que o Miguel, na idade dele, é o melhor jogador nacional mas não podia chegar ao pé do sr. Dias e desculpar me com a ausência do Miguel. Felizmente ganhámos e chegámos ao título com o contributo do Miguel na fase final.

E a equipa de juniores continua a dar cartas...
Estar na final do campeonato distrital é um prémio para este grupo de trabalho. Estivemos inseridos num grupo fortíssimo onde estiveram o FC Porto, Valongo e o HC Braga, todos candidatos ao título. 

Tem sentido o apoio dos barcelenses mesmo nas camadas jovens?
Penso que não há nenhum pavilhão em Portugal que não tenha jogado e sem dúvida que a massa associativa do Óquei de Barcelos é a que mais apoia e enche os pavilhões. E não é só nos momentos felizes, também nos momentos menos felizes estão sempre connosco.

Sente-se feliz em Barcelos?
Muito, muito, muito... não voltava atrás de forma nenhuma. 

Nota-se que é meticuloso no que faz, é essa a sua postura?
Eu estudo o hóquei e o jogo. Há uns anos, quando aqui cheguei, disseram que tinha um hóquei tradicional, não tinha um hóquei moderno. O facto é que não mudei uma vírgula desde essa altura. Hoje, e quem acompanha o clube, percebe que existe uma linha táctica que acompanha a formação toda e os resultados estão à vista. Estudo muito o adversário, a minha equipa e mais importante ainda, percebo individualmente cada jogador e tento tirar o melhor de cada um.

Pensa dar o salto, por exemplo, para um clube de primeira divisão? 
Seria falta de humildade e não estaria a ser correcto se não dissesse a verdade. Alguns convites foram feitos, já este ano por duas vezes e um no decorrer da época, de clubes da primeira divisão, mas continuo a optar pelo Barcelos pois é aqui que me sinto bem e enquanto o clube me quiser estarei cá. Tive convites de clubes de topo e de primeira divisão mas optei pelo Óquei de Barcelos. É nesta casa que me sinto bem.


FONTE : JORNAL BARCELOS POPULAR

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